Geração Dedo-Duro?

Posted on 22/03/2016 por

0


Não há como negar que as novas tecnologias de comunicação e informação produziram uma revolução comportamental profunda em nossa sociedade.

Os corpos de pessoas de todas as faixas etárias foram tomados de assalto por telefones celulares que são, na verdade, computadores que distribuem informações e produtos através de diferentes plataformas.

Informação, comunicação, memória e diversão. Não há por que negar o quando ganhamos com isso e, claro, as mudanças que foram produzidas em nossos hábitos e comportamentos, além das novas formas de sujeitos que estão sendo produzidas. E isso é fácil de comprovar.

Em qualquer restaurante da cidade, encontraremos grupos de pessoas que, entre uma garfada e outra, consultam seus celulares e, quando cansam, trocam algumas palavras com os presentes.

Corpo presente, até o momento, somente em velório. O que parece importar hoje em dia é o corpo virtual.

E a juventude, como não poderia deixar de ser, é a maior entusiasta da virtualidade e sua tecnologias. Dominam plenamente a linguagem e os recursos informacionais, como nativos que são dessas tecnologias, com tal intensidade que podemos dizer que os celulares já se tornaram uma extensão de seus corpos, confirmando a tese de Donna Haraway de que humano não mais existe e de que estamos na era do cyborgue.

E onde a juventude cybogue está confinada, a escola, o celular se presta à inúmeras utilidades, principalmente como recurso de comunicação e memória áudio-visual, substituindo o trabalho de copiar uma lousa ou divulgando uma informação para um colega que não pode estar na aula em determinado dia.

Mas também serve para fins perversos. Em muitas escolas alunos têm gravado a fala de seus professores, a pedido de seus pais ou por iniciativa própria, sem autorização da escola ou dos educadores, com o objetivo de chantagear, humilhar ou ridicularizar o profissional pelo qual ele não tem simpatia.

Em muitos casos essas gravações são socializadas no facebook ou em grupos de whatsApp, com imagens e informações editadas e descontextualizadas, ação cuja finalidade é difamar e destruir a integridade moral da pessoa.

Muitas escolas e professores fazem vistas grossas para esse tipo de prática. Por covardia ou falta de rigor ético e político, deixam que uma prática criminosa e imoral, ganhe força entre seus alunos e, pior ainda, entre os pais, que gravam reunião de professores, furtivamente, e depois a divulgam sem qualquer escrúpulo.

Não se pode dizer que isso chega a surpreender. Afinal vivemos em um país onde um juiz federal produz, incentiva e divulga todo tipo de grampo ilegal, de pessoas e empresas, e os divulga por uma ampla rede midiática com o claro objetivo de destruir reputações e destruir instituições. E tudo isso, claro, em nome da moralidade pública.

Mas as escolas precisam saber o que querem formar. Precisam dizer se o currículo que adotam e defendem, deve estar à serviço da produção de pessoas críticas e decentes ou de difamadores  e dedo-duros. Devem tornar explícito se defendem um modelo de sociedade onde a mentira e a injúria sejam o modo normal de convivência ou se desejam que o respeito à integridade física e moral de todas as pessoas sejam a base do ensino que ministram aos seus alunos.

A única que coisa que os professores e suas escolas não podem fazer é omitir-se. Pois a omissão, nesse caso, alimenta a fera do fascismo e, quando o monstro sentir que está forte, devorará a todos.

Anúncios
Posted in: Uncategorized